
Muitas vezes renunciei a mim mesma, aos meus gostos, meu jeito, minhas manias, meus costumes pra agradar. Isso era tão natural, que se tornou quase imperceptível. E, opa!, de repente me vi perdida no meio de tantas Carol's, que me senti tonta. E decidi: vou ser eu mesma!
Assim poderia ter sido, e eu ter vivido feliz para sempre.
Mas pra assim ser, dependeria de muito esforço, visto que eu nem sabia quem eu era mais. Só sabia do que eu não gostava.
Teria muito trabalho para me descobrir de novo, com todo o esforço que isso me exigiria, e por preguiça, deixei pra amanhã. E pra amanhã. E pra amanhã de novo.
Até que percebi que não adiava esse encontro por simples preguiça, e sim por medo. Por medo de me encontrar. Sem mascaras, disfarces, ou algo que o valha.
Hoje posso dizer que me encontrei. Mas quase não me reconheci.
Aquela criança não existia mais. Aquela que podia correr para o colo dos pais sempre que sentia medo, aquela que tinha medo de dormir sozinha. Não! Encontrei uma adolescente confusa, indecisa, frágil.
E mais do que isso, descobri que não sou o que era. Sou o que me tornei. O que o mundo me tornou!