segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

strip-tease.


Chegou no apartamento dele por volta das seis da tarde e sentia um nervosismo fora do comum. Antes de entrar, pensou mais uma vez no que estava por fazer. Seria sua primeira vez. Já havia roído as unhas de ambas as mãos. Não podia mais voltar atrás. Tocou a campainha e ele, ansioso do outro lado da porta, não levou mais do que dois segundos para atender.
Ele perguntou se ela queria beber alguma coisa, ela não quis. Ele perguntou se ela queria sentar, ela recusou. Ele perguntou o que poderia fazer por ela. A resposta: sem preliminares. Quero que você me escute, simplesmente.
Então ela começou a se despir como nunca havia feito antes.
Primeiro tirou a máscara: "Eu tenho feito de conta que você não me interessa muito, mas não é verdade. Você é a pessoa mais especial que já conheci. Não por ser bonito ou por pensar como eu sobre tantas coisas, mas por algo maior e mais profundo do que aparência e afinidade. Ser correspondida é o que menos me importa no momento: preciso dizer o que sinto".
Então ela desfez-se da arrogância: "Nem sei com que pernas cheguei até sua casa, achei que não teria coragem. Mas agora que estou aqui, preciso que você saiba que cada música que toca é com você que ouço, cada palavra que leio é com você que reparto, cada deslumbramento que tenho é com você que sinto. Você está entranhado no que sou, virou parte da minha história."
Era o pudor sendo desabotoado: "Eu beijo espelhos, abraço almofadas, faço carinho em mim mesma tendo você no pensamento, e mesmo quando as coisas que faço são menos importantes, como ler uma revista ou lavar uma meia, é em sua companhia que estou".
Retirava o medo: "Eu não sou melhor ou pior do que ninguém, sou apenas alguém que está aprendendo a lidar com o amor, sinto que ele existe, sinto que é forte e sinto que é aquilo que todos procuram. Encontrei".
Por fim, a última peça caía, deixando-a nua
"Eu gostaria de viver com você, mas não foi por isso que vim. A intenção é unicamente deixá-lo saber que é amado e deixá-lo pensar a respeito, que amor não é coisa que se retribua de imediato, apenas para ser gentil. Se um dia eu for amada do mesmo modo por você, me avise que eu volto, e a gente recomeça de onde parou, paramos aqui".

E saiu do apartamento sentindo-se mais mulher do que nunca.


Martha Medeiros.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

cética.


Não acredito em promessas, chocolates ou flores. Não confio meus segredos a ninguém. Não acredito em pessoas idiotas e estúpidas que mentem mal. Não acredito na verdade, ás vezes.
Desconfio de tudo. De pessoas boas demais, de pessoas controladas demais, de pessoas calmas demais, de pessoas de sorriso fácil, de pessoas felizes a todo custo.
Desconfio até de mim mesma, de vez em quando.
Não acredito em homens de palavras bonitas, de frases feitas, que se acham doutores na arte da conquista.
Enfim, sou descrente.
Da vida, das pessoas, do mundo.
Alguns julgam isso uma atitude de gente desiludida. Mas eu nunca fui de me importar muitos com o que as pessoas pensam...

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

escrever. ♥


Nem tudo o que eu sinto, eu escrevo. Nem tudo que escrevo, eu realmente sinto. Eu simplesmente escrevo.
Como terapia, como fuga, como prazer, como libertação. Eu preciso escrever!
Talvez eu nem escreva, mas as palavras saiam de mim, e se ordenam na minha frente de forma mágica. Sem esforço ou algo que o valha.
As palavras são pra mim instrumentos, com as quais eu toco o céu, crio a minha realidade, invento meu final.
As palavras pra mim são necessárias, em qualquer momento, com qualquer emoção, ou até sem emoção nenhuma. Elas simplesmente são vitais.
E se eu escrevo, é porque eu sempre tenho algo a dizer, seja isso importante ou não.
Quando eu escrevo, posso criar meu mundo, reinventar os fatos, e até cria-los.
Eu posso ser eu mesma, sem mascaras ou disfarces, posso expressar o que realmente penso ou sinto. Posso me esconder atrás das minhas palavras e dar à elas a forma que eu quiser.

Porque, só nas palavras, eu encontro minha liberdade!

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010