sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Há algum tempo atrás...


Eu era ingênua, inocente e simples. Meu mundo se resumia a uma casa de bonecas. Projetava sobre elas o meu futuro.
Ao crescer seria como elas: linda, rica e bem-resolvida.
Viveria só por pouco tempo, até que o visse em uma lanchonete, e eu me apaixonasse perdidamente por ele. Claro que ele também, e formaríamos o casal mais lindo de todos.
Viajaríamos pra Europa, e lá no topo da Torre Eiffel, ou em um barco em Veneza, em um finzinho de tarde, ele olharia nos meus olhos e diria:
- Quer casar comigo?
Claro que eu aceitaria e o encheria de beijos.
Pouco tempo depois, teríamos o casamento perfeito, e passaríamos a lua-de-mel nas ilhas paradisíacas do Caribe.
Teríamos uma filha, e constituiríamos uma família perfeita.
Até que nos tornaríamos velhinhos, e continuaríamos com aquele amor lindo. E assim seríamos felizes para sempre.
Talvez esse seja o maior erro das adolescentes: projetar amores perfeitos.
Passamos muito tempo imaginando o encontro com o nosso príncipe encantado, e esquecemos que a realidade é bem diferente disso tudo.
Tudo seria mais fácil, e menos doloroso, se aceitássemos a inexistência de perfeição do mundo. E mais do que isso: se aceitássemos as coisas como elas são...

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